Fábrica de Laços e Tiaras

Descubra como uma artesã comum se tornou uma super empreendedora bem sucedida.

Vida de artesão
Artistas que chegam a Uberaba falam das
dificuldades de trabalhar na cidade

Sana Suzara
7 período de Jornalismo

Apesar de todas as exigências sociais que levam os indivíduos a se submeterem ao sistema, os modos de vida alternativos ainda são seguidos por algumas pessoas.

Muitos preferem o convencional, um trabalho fixo, uma moradia certa. Mas nem todos levam essa vida, pois há pessoas que preferem mudar de um lugar para outro para vender seus produtos. Esse é o caso de Taiane Natália de Souza e sua família.

Eles trabalham com bijuterias, tatuagens de rena e adereços feitos de linha. Juntos confeccionam e vendem seus artesanatos nas várias cidades que visitam. “É ótimo! Há um mês nós estávamos no Rio de Janeiro. Tínhamos o dinheiro de ida, vendemos nosso artesanato e conseguimos mais. Deu até para alugar uma casinha e para a comida”, fala Taiane.

Ao chegar a uma cidade grande, costumam alugar um quarto de hotel. Dependendo do lugar, preferem acampar. “Nós somos turistas nas cidades, mas com um diferencial: vamos para vender, e há outros que vão para deixar o dinheiro na cidade. Mas é disso que vivemos, do artesanato”, afirma a artesã.

Em muitas cidades, para vender seus produtos, os artesãos precisam obter uma licença na prefeitura. É o exemplo de Uberaba, onde leis municipais regulamentam o ofício dos artesãos. “Não estamos pedindo, nem somos camelôs, somos artesãos, vendemos o fruto do nosso trabalho”, disse Taiane.

Ela contou que, quando chegaram em uma praia no Espírito Santo, foram confundidos com camelôs e tiveram que pagar uma taxa à prefeitura. Depois de muita discussão, conseguiram provar que eram artesãos. Foi quando a prefeitura encontrou na constituição uma lei que protege o trabalho e venda de artesanatos e, daquele dia em diante, eles poderiam trabalhar livremente, pois os fiscais não iriam atrapalhá-los.

Com seu jeito simples de ser, sentada a vender seus artesanatos, Taiane declara que não se preocupa com roupas caras e de marcas. Com um chinelo de dedo, uma camiseta e saia, ela não se preocupa com o luxo. “Não vale a pena pagar caro em uma calça ou blusa. Um dia já fui assim. Hoje, vivo e trabalho para fazer a minha vontade e a da minha filha. Dessa vida, nada vamos levar”, fala a artesã.

Através do artesanato, eles garantem o sustento de uma criança de onze meses chamada Ágata, ela acompanha os pais em todos as viagens. Taiane considera quase todos os pontos desse seu modo de vida favoráveis, mas uma coisa que a deixa entristecida é o preconceito. “As pessoas que olham para a minha filha falam: coitadinha dessa criança”.

Mesmo assim, a artesã não pretende abandonar esse modo de vida. Ela afirma que quando sua filha estiver maior, a colocará na escola, e sempre a ensinará o que é certo e o que é errado. A mãe não pretende forçar a filha a seguir a mesma profissão dos pais.

Elton Buchweitz, também artesão, deixou o Rio Grande do Sul e há 10 anos, vai de cidade em cidade, com sua família, para vender seus produtos. Encontrar um local para trabalhar é um grande problema, segundo Elton. “O pessoal do passe pode trabalhar e outras pessoas podem vender outros produtos e até mesmo mendigar, já eu não posso vender meu artesanato”, fala o artesão.

Para Buchweitz, a solução para os artesãos visitantes seria a criação de um local específico para a exposição e venda de seus produtos. Elton contou que em algumas cidades o artesão tem o prazo de três dias para vender as suas mercadorias, já em Uberaba, não é permitido nem um dia. “Nem na Feira Arte eu posso trabalhar, pois preciso de tempo para regulamentar a minha situação de vendedor”.